Senso Crítico
Lembro-me de ter tido uma aula de filosofia quando eu estava na escola sobre senso comum e senso crítico. Senso comum é quando nós pensamos igual a todo mundo, não desenvolvemos nossas próprias idéias e opiniões sobre um assunto e vamos na onda dos outros. Senso crítico é quando temos uma opinião formada, pensamos diferente e realmente criticamos algo quando não achamos correto.
E é sobre o senso crítico que eu queria falar hoje. Não o senso crítico na hora de criar campanhas ( que é muitíssimo importante também), mas sim sobre o senso crítico de analisar as que vemos por aí.
Diariamente nos deparamos em nossos Google Readers, blogs e Twitters da vida com ações na internet, comerciais, guerrilhas e campanhas que geralmente nos surpreendem e utilizamos como referência para criar as nossas próprias. Mas o que não fazemos com certa frequência é analisar se essas coisas que vemos são realmente boas e podem ser tomadas como referências.
Eu acho que não é certo ficar elogiando e pagando um pau pra tudo que vemos por aí.
Proponho um exercício: Ao ver uma campanha na internet, tire 1 minuto para analisá-la. Analise se ela realmente atinge seu objetivo, se ela fará as pessoas participarem, se ela provocará emoções, se ela reforça o posicionamento da marca, se ela traz resultados, se ela não poderia ter outros desdobramentos e execuções bem melhores. Você vai descobrir coisas muito interessantes.
Quer um exemplo prático disso?
Quando a nova propaganda do Spacefox da Volkswagen foi ao ar, todos ficaram de boca aberta. O cachorro-peixe conquistou os publicitários e os telespectadores que paravam pra ver o comercial quando ele passava.
Porém, se você perguntasse pra qualquer pessoa de qual carro se tratava aquele comercial ninguém sabia responder. É impressionante. Fiz isso com várias pessoas que conheço e ninguém lembrava o nome do carro do bendito comercial do cachorro-peixe.
Confira o comercial aqui:
É disso que eu estou falando. Às vezes as coisas parecem lindas, maravilhosas mas na verdade não vendem o produto, não geram participação e nem resultados. É dinheiro jogado fora.
E digo mais, se analisarmos campanhas com mais profundidade, isso nos ajudará a melhorar nossa capacidade de analisar e criticar tudo o que estamos criando e planejando para os nossos clientes. Senso Crítico está ligado a ‘diferenciação’ e isso é primordial em nosso dia-a-dia.
Por isso eu apelo: Publicitários, vamos ter mais Senso Crítico em nossa profissão. Vocês vão ver como isso vai nos tornar profissionais melhores.
Pensem nisso!
PS1: Fui no evento Mi Case Su Case do Grupo de Planejamento semana passada. O evento foi bom e eu acabei não postando aqui no blog =/
Porém, vocês podem ver um post resumão no próprio blog do GP.
PS2: Esse insight veio de uma conversa que meu irmão teve com o André Matarazzo.
PS3: Esse post não é sobre o filme do cachorro-peixe. Esse post é sobre todo mundo ficar babando em campanhas que não são tudo isso aos olhos do público-alvo.

Eu uso esse mesmo exemplo com frequencia até porque esse comercial em particular deve ser um dos top5 mais veiculados nos últimos 12 meses. E em termos de eficiência te garanto que os comerciais insuportáveis das Casas Bahia deixam o cachorro-peixe no chinelo. Abx.
Patrice
8 Junho, 2009 em 14:21
Uma formulazinha rápida para saber se a propaganda realmente funcionou de algum jeito, é perguntar pra qualquer que não entende nada de propaganda.
Nós estamos muito condicionados a tais sensos.
Bem lembrado Delfino.
Microabraço.
Tiago Moralles
8 Junho, 2009 em 14:31
Parabéns, veio.
Você conseguiu no mesmo texto chamar seus leitores de idiotas explicando o que é senso comum (se não fosse você acho que ficaríamos nas trevas do conhecimento) e ser um idiota chegando na conclusão mais batida da história da propaganda (comercial que todo mundo comenta mais ninguém lembra da marca é coisa da década de 80, no mínimo).
Fora que analisar é com S, bonitão. Você foi muito nas aulas de filosofia, mas esqueceu as de português.
Bom blog, acho que vou voltar mais vezes.
Platão
8 Junho, 2009 em 15:39
Fala Platão, o grande filósofo das antiguidades.
Bom, apenas relembrei o conceito de senso comum e senso crítico, até pra contextualizar o que eu estava falando.
O cachorro-peixe e os comerciais onde não se lembra o produto foi apenas um dos inúmeros outros exemplos de campanhas que todos acharam surpreendentes, mas não tiveram resultados efetivos.
Se você lesse meu texto mais atentamente e refletisse mais sobre o assunto poderia deixar um comentário mais construtivo e compartilhar sua vasta inteligência conosco.
Valeu pela dica do português, já arrumei os erros.
Abs
Bruno Delfino
8 Junho, 2009 em 15:54
Platão, manda teu CV para a gente aqui na Gringo!
Se todo mundo, realmente, for tão inteligente, observador, correto ortograficamente, e perceptivo como você – para conseguir fazer essa associação entre o que é bom, o que é para publicitário ver e o que realmente teve ROI de uma maneira tão fácil e simples (como seu comentário mostrou) precisamos de mais “platãos” (platões?) no mercado.
Pois sinceramente, vamos e venhamos de idiota aqui só quem acha que isso é o assunto mais batido da história ou que realmente não trabalha com publicidade (cliente \ agência).
Por quê quem trabalha e quem entende (o que é diferente de ler blogs e mídia especializada) sabe que ainda tem muita de lição de casa para ser feita.
Mas esse não é o seu caso, é?
Abs,
Thiago
PS – nos anos 80, comercial era feito para ser lembrando mesmo. Afinal, 90% de todo filme, print ou rádio era focado no produto. Esse seu comentário caberia mais para os anos 90 e 2000. Quando o produto deu lugar as produções (bem feitas) que impactam mas não geram recall.
Acho que o Bruno faltou nas aula de português no mesmo dia em que você faltou nas aulas de história da publicidade.
Thiago
8 Junho, 2009 em 16:43
Bom, concordo com suas ideias! Mas vc não comentou uma coisa que devemos levar em consideração: será que as pessoas a quem vc perguntou fazem parte do público-alvo da campanha? Só isso…
Rodrigo Corrêa
8 Junho, 2009 em 16:47
Sim, perguntei pra pessoas do público-alvo e pra pessoas que não são do público-alvo.
Bruno Delfino
8 Junho, 2009 em 17:14
Delfino,
Belo ponto, essa é uma necessidade publicitária de estar sempre “in” com td que está rolando e achar “du caralho” quase como forma de inclusão. Mas acredito que esse senso crítico também possa ter outra leitura: a de que é muito fácil criticar.
As pessoas são más e adoram denigrir o êxito alheio. Vejo muitas vezes o ’senso crítico’ funcionando de forma exagerada, buscando pelo em ovo, virgula onde deveria ser ponto. A internet da voz a todos ao mesmo tempo o anonimato. Permite àqueles que não descem da cadeira para ver na rua o que realmente funciona e quem é seu target DE VERDADE, emitir opinião através da lente do fantástico mundo da publicidade conceitual. Não defendo a propaganda burra, não acho que temos que varejar. Como planejamento, temos que buscar conceitos, mas também ter o cuidado de não ser uma entrega vazia. E como críticos, temos que ser realmetne críticos… não puxa-saco, e nem pentelhos de plantão. Abs!
PS. Platão, um bom exemplo da crítica pela crítica. Por cinal, me corije aí cazo tenha dijitado algo eradu.
Pedro
8 Junho, 2009 em 18:38
É o que eu sempre te falei. Retroplanning é simpes, as vezes dura 2 minutos e a partir dele voce consegue mais propriedade pra falar bem, pagar pau, lamber saco, ou não.
A discussão é válida sim.
Rafael Paes
8 Junho, 2009 em 18:59
Retroplanning é bacana, mas eu gosto de usar a tática do Tiago Fidellis.
Perguntar ao cobrador do ônibus, a caixa do Carrefour ou ao manobrista do vallet é sempre bacana para fazer um reality check.
Abraços!
Rafael Amaral
10 Junho, 2009 em 16:33